A Arquidiocese de Goiânia lançou, na manhã de quarta-feira, 18 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade 2026 com o tema Fraternidade e Moradia.
Em Goiânia, a abertura foi marcada por coletiva de imprensa no Auditório da Cúria Metropolitana, com a presença do arcebispo metropolitano de Goiânia e grão chanceler da PUC Goiás, Dom João Justino, além de representantes da Pastoral da Moradia, Pastoral do Povo de Rua, Pastoral dos Migrantes e da Ocupação Marielle Franco, no bairro Solar Ville. A Campanha, coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB, é realizada em todo o País durante o período quaresmal.
Lançamento no sábado
O lançamento junto à comunidade acontecerá neste sábado, 21 de fevereiro, às 9 horas, na própria ocupação, onde vivem 107 famílias, somando quase 400 pessoas. A escolha do local reforça o compromisso da Igreja de dar visibilidade às realidades mais vulneráveis e de promover a reflexão a partir da escuta de quem enfrenta, diariamente, a insegurança habitacional.
Ao apresentar o tema, Dom João destacou que a campanha convida a um duplo movimento: de conscientização à luz da Palavra de Deus e do ensino social da Igreja, e de revisão da compreensão da moradia como simples mercadoria.
O arcebispo ressaltou ainda que o tempo da Quaresma é ocasião propícia para a conversão pessoal, comunitária e social. Assumir a Campanha da Fraternidade significa transformar a reflexão em compromisso concreto com o Evangelho, por meio de gestos de solidariedade e de ações que promovam dignidade às famílias que não têm acesso a uma casa adequada.
A líder comunitária Carleane Alves de Souza, mãe de três filhos e moradora da Ocupação Marielle Franco, afirmou que as famílias vivem em barracos improvisados, vulneráveis à chuva e a condições precárias de infraestrutura. Muitas enfrentam desemprego e dificuldades agravadas no período pós pandemia. Para ela, a campanha representa a oportunidade de dar voz ao grito de quem se sente invisível e de mostrar que ali vivem pessoas reais, mães e pais que lutam diariamente para sobreviver. Ela também questiona o contraste entre imóveis vazios e tantas famílias sem moradia, apontando para a urgência de políticas públicas eficazes.
Prática
Entre os objetivos da Campanha da Fraternidade 2026 estão o estímulo à construção de moradias para famílias em situação de vulnerabilidade, a cobrança para que políticas habitacionais saiam do papel e a integração da moradia com serviços essenciais como saneamento básico, energia, transporte e segurança.
Dom João destacou o papel da PUC Goiás nesse processo. Segundo ele, a universidade, por meio da Pastoral Universitária e da Pró-Reitoria de Extensão e Apoio Estudantil, tem histórico de apoio às iniciativas da campanha e já desenvolveu atividades na própria ocupação. Com o início do semestre letivo, novas ações deverão envolver estudantes, inclusive na disciplina de Ecologia, ampliando o debate sobre justiça social e direito à cidade. A instituição também oferece apoio logístico às atividades arquidiocesanas, reforçando sua identidade católica e seu compromisso com a transformação social.
Para o grão chanceler, as ações concretas passam por duas frentes que devem caminhar juntas: a assistência imediata a quem vive sem garantias básicas e a incidência sobre políticas públicas estruturantes. Ele lembrou que as pessoas em situação de rua e as famílias sem moradia são sujeitos de direitos e devem ser tratadas com dignidade. Nesse contexto, a universidade se coloca como espaço de formação, reflexão crítica e mobilização, contribuindo para que fé, conhecimento e compromisso social caminhem lado a lado na construção de uma sociedade mais justa.
(Com informações da Arquidiocese de Goiânia)



