
Moro onde não passa ninguém/Onde não vive ninguém/É lá onde moro/E eu me sinto bem/Uma casinha branca/No alto da serra/Um coqueiro do lado/Um cachorro magro amarrado/Um fogão de lenha afumaçado/É lá onde moro/É lá que me sinto bem… diz parte da letra da música do saudoso cantor brasileiro AGEPÊ, em ritmo de samba, antecipando, eufemisticamente, a resposta à questão título deste artigo, traduzindo momentos de felicidade por morar num lugar aprazível, calmo e tranqüilo, no estilo brasileiro de ser feliz.
Afinal, por aqui tudo acaba em samba, ou pizza. Menos mal!
Onde moras, contudo, é uma pergunta Cristã por excelência, com visão de justiça social. Célere é o momento em que Jesus Cristo foi perguntado por alguns dos seus seguidores. “Rabi, onde moras?” A resposta foi na hora: ”Venha Ver” (João 1:38:39).
E foram com ele. Conheceram e ficaram em sua casa. Evidente que a casa de Cristo não era a terrena, mas um conceito de eternidade. Venha ver, contudo, significa um chamado para me conhecer, ser meu amigo.
Talvez por isto o filósofo e cientista alemão Goethe (1749-1832) acertou na frase de que “não conhecemos as pessoas quando elas vêm em nossa casa: devemos ir na casa delas para ver como são”. Bravo!
E foi neste conceito que, recentemente, em reunião comemorativa do Natal de 2025, com todos os condôminos de um determinado edifício da cidade de Anápolis, Goiás, num bate papo inicial com um vizinho nunca visto antes, apesar de morar já há nove anos no mesmo endereço, fiz a pergunta: onde moras? A resposta foi deveras intrigante: em NOVA IORQUE!
– Mas, como assim, por que Nova Iorque? Meu interlocutor, provável amigo explicou:
– O cantor americano Frank Sinatra, na letra da música “New York, New York” afirma: “Eu quero acordar na cidade que nunca dorme…e descobrir que sou o número um”…
– E daí, questionei: Como assim? As explicações vieram sucintas:
– Onde moro, entre 23 e 24:00 horas, todos os dias, alguns abençoados motoqueiros, com aqueles escapamentos barulhentos em excesso, passam como se sentissem felizes em prejudicar o sono dos moradores do edifício.
Ás duas da manhã, nem sempre, porém muitas vezes por semana, passa o carro da “SAMU”, conduzindo pessoas para um hospital; às 04:00 horas da manhã, cachorros de rua despertam a cachorrada do vizinho ilustre e latem com força até clarear o dia e, a partir das 06:30 horas da manhã, o sino do campanário toca, em volume bem alto, convidando os fieis para rezar, a cada 15 minutos e fica impossível dormir.



