A pergunta que não cala e que todos nós, brasileiros, precisamos fazer a nós mesmos: vamos só combater a pobreza ou criar as condições para superá-la?
Infelizmente o que temos assistido ao longo dos anos são apenas ações de manutenção da pobreza país afora.
Escrevendo sobre isto, os economistas Michael França e Daniel Duque, em livro que leva o nome do título deste artigo, e é dirigido às elites brasileiras, colocam uma nova visão ou uma questão que nosso país costuma discutir mais pelo coração do que pela razão, qual seja a de que a desigualdade não é apenas um problema social, mas, e principalmente, que ela tem um preço econômico muito alto.
Sim, quando a grande maioria dos brasileiros nascem sem acesso adequado a educação, saúde e segurança, é certo que isto já anula suas oportunidades e o país não perde somente justiça social. Perde produtividade, talentos, consumidores e potencial de crescimento.
Dentro da mesma ótica, a desigualdade de oportunidades é perversa: o filho de uma família pobre pode possuir inteligência, criatividade e capacidade exatamente iguais às de qualquer jovem privilegiado, porém, sem as oportunidades oferecidas aos filhos dos ricos, a desigualdade só aumenta no futuro. Do lado da economia de um país, se o pobre recebe uma educação deficiente e cresce sem condições mínimas para desenvolver suas habilidades, o país perde aquilo que poderia ter sido uma contribuição valiosa para sua economia.
Sim, uma sociedade desigual não é confortável nem mesmo para quem está no topo. Mercados dependem de consumidores, trabalhadores qualificados, segurança jurídica e estabilidade social. Uma economia cercada por pobreza e exclusão acaba criando obstáculos para o próprio crescimento, afirmam os economistas.
Combater a desigualdade não pode significar simplesmente distribuir renda indefinidamente. Transferência de renda é necessária em determinadas circunstâncias, mas não substitui emprego, educação de qualidade, produtividade e crescimento econômico.
Nossos políticos precisam deixar de enxergar a pobreza como uma condição permanente a ser administrada pelo Estado. Passa da hora de mudar o foco. Contudo, isso exige uma elite econômica e políticos responsáveis.
Não basta discutir como repartir o bolo aumentando impostos e desincentivando o trabalho, como nos últimos tempos. É preciso discutir como produzir um bolo maior.
Uma sociedade mais justa não será construída apenas tirando dos que têm mais para entregar aos que têm menos porque, no final, todos ficarão pobres. Isto já está acontecendo em nosso país.
Afinal, a desigualdade tem custos e enfrentá-la é mais que exigência moral: é condição para construir um país mais justo, próspero e capaz de realizar seu potencial, afirmam os autores. A dependência da mesma forma.
Daí a pergunta que precisamos responder para não perder, eternamente, o bonde da história, como já vem acontecendo há mais de 40 anos, com um crescimento no PIB medíocre: queremos apenas combater a pobreza ou criar as condições para superá-la?
Não será melhor acompanhar países de sucesso que acreditaram na educação de qualidade em igualdade de condições para todos (pobres e ricos)?
Por que não profissionalizar nos jovens no ensino médio (todos eles), como os países da UE? Hora de pensar um pouco!




