Saúde

Doenças cardiovasculares matam cerca de 25 pessoas por dia em Goiás

O número representa uma média preocupante de aproximadamente 25 mortes por dia

As doenças cardiovasculares continuam liderando as estatísticas de mortalidade no Brasil e em Goiás. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, revelam que o estado de Goiás registrou 9.123 mortes por complicações cardiovasculares em 2025, posicionando a unidade federativa em 9º lugar no ranking nacional de óbitos por essa causa.

O número representa uma média preocupante de aproximadamente 25 mortes por dia, impulsionada por 4.678 mortes por infarto, 2.728 por Acidente Vascular Cerebral (AVC) e 1.717 por insuficiência cardíaca.

Orientação

No mês do Setembro Vermelho e na semana em que foi celebrado o Dia Mundial do Coração (29/09), o alerta ganhou urgência adicional devido ao clima no Centro-Oeste: a combinação de altas temperaturas (com picos que superam os 33°C), baixa umidade do ar e desidratação impõe um estresse térmico severo ao sistema circulatório.

Para orientar a população de Anápolis e região, o coordenador e especialista em Cardiologia do Ânima Centro Hospitalar (integrante do Grupo Santa), Dr. Giuliano Serafino Ciambelli, detalhou como proteger a saúde do coração, controlar a pressão arterial e identificar sinais de emergência antes que um evento grave aconteça.

Dr. Giuliano Serafino Ciambelli, detalhou como proteger a saúde do coração

Calor, desidratação e o estresse no coração

Durante períodos de calor forte e tempo seco, o organismo aciona mecanismos de termorregulação que alteram a circulação sanguínea. A dilatação dos vasos (vasodilatação) aliada à perda de líquidos pela transpiração pode causar quedas bruscas de pressão arterial ou, de forma compensatória, aceleração dos batimentos cardíacos para manter a irrigação dos órgãos vitais.

“Em dias muito quentes, os riscos de desequilíbrio circulatório aumentam consideravelmente, sobretudo entre idosos, hipertensos e pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos diuréticos ou anti-hipertensivos. A desidratação ‘invisível’ reduz o volume sanguíneo, podendo provocar tonturas, arritmias, picos pressóricos descontrolados e sobrecarga no miocárdio. Manter a ingestão constante de água e não suspender remédios sem orientação médica são regras de ouro no calor”, explicou o cardiologista Dr. Giuliano Serafino Ciambelli.

Nova diretriz: o “12 por 8” agora é pré-hipertensão

A necessidade de acompanhamento periódico tornou-se ainda mais criteriosa após a publicação da 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A norma redefiniu os parâmetros de normalidade e passou a classificar a pressão de 120/80 mmHg (12 por 8) — historicamente vista como ideal — na categoria de pré-hipertensão.

“Muitos pacientes se surpreendem ao descobrir que o ’12 por 8′ agora exige atenção. A mudança da comunidade médica se baseia em evidências de que o risco de lesões vasculares em órgãos-alvo — como rins, cérebro e o próprio coração — começa a subir silenciosamente antes mesmo que a hipertensão estágio 1 se estabeleça.

Para quem apresenta níveis de 12 por 8 hoje, o protocolo passa a ser a prevenção ativa, com acompanhamento semestral, exames laboratoriais e a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) para afastar quadros de hipertensão mascarada”, destaca o Dr. Giuliano. O cardiologista pondera que, entre os homens a partir dos 40 anos, o cuidado deve ser antecipado devido ao acúmulo gradual da aterosclerose (entupimento das artérias). Ao contrário das mulheres, que contam com a proteção hormonal do estrogênio durante a vida fértil, o público masculino apresenta vulnerabilidade cardiovascular mais precoce.

Sinais atípicos em idosos e mulheres e a medição correta

A dor intensa ou sensação de aperto no peito com irradiação para o braço esquerdo, pescoço ou mandíbula é o sintoma clássico do infarto. No entanto, o Dr. Giuliano faz um alerta para apresentações atípicas da doença: “Em idosos, mulheres e pessoas com diabetes, os eventos cardiovasculares graves frequentemente se manifestam sem a dor no peito tradicional. O paciente pode apresentar apenas suor frio repentino, náuseas, tontura, falta de ar desproporcional ao esforço ou um mal-estar indefinido.

Diante desses sinais súbitos, deve-se procurar socorro hospitalar sem demora.” Para quem monitora a pressão arterial em casa, o especialista do Ânima reforça o passo a passo para garantir medições precisas e evitar o diagnóstico incorreto: 1. Repouso prévio: Permanecer sentado e relaxado por pelo menos 5 minutos antes da aferição; 2. Postura adequada: Costas apoiadas na cadeira, pernas descruzadas e pés firmes no chão; 3. Posição do braço: Braço despido e apoiado sobre uma mesa, mantido na altura do coração com a palma da mão para cima; 4. Preparo físico: Estar com a bexiga vazia e não falar durante o exame.

Linha de Cuidado Cardiovascular em Anápolis

A antecipação diagnóstica é o principal fator para reduzir a mortalidade por infartos e AVCs. O Ânima Centro Hospitalar conta com uma linha assistencial estruturada para cobrir desde o check-up preventivo ambulatorial até o atendimento de alta complexidade no Pronto-Socorro 24h e na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O centro diagnóstico do hospital dispõe de recursos de imagem e exames gráficos essenciais para a investigação cardiovascular completa — como Eletrocardiograma, Ecocardiograma Transtorácico, Teste Ergométrico, Escore de Cálcio Coronariano e Doppler vascular de carótidas. “A mensagem central do Setembro Vermelho e do Dia Mundial do Coração é que não se deve esperar um sintoma grave ou a dor no peito aparecer para começar a cuidar da saúde vascular. Conhecer os seus números de pressão, glicemia e colesterol, manter uma rotina de exames a partir dos 35 ou 40 anos e adotar um estilo de vida com atividade física e boa higiene do sono são os investimentos mais seguros para garantir longevidade com qualidade”, conclui o Dr. Giuliano Serafino Ciambelli.

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