Ciência

Uso precoce de celular aumenta em 62% risco de problemas do sono em crianças

Dados do TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos são usuários regulares da internet

Novas evidências científicas trazem um alerta urgente para pais e educadores: dar um celular a uma criança antes dos 12 anos está associado a riscos significativamente maiores de depressão, obesidade e graves prejuízos ao sono.

Os dados são de um amplo estudo publicado na revista Pediatrics, que analisou mais de 10.500 participantes nos EUA.

A pesquisa, parte do Adolescent Brain Cognitive Development Study (ABCD), revela números preocupantes.

Aos 12 anos, crianças que já tinham smartphone apresentaram 31% mais risco de depressão, 40% mais chance de obesidade e 62% mais probabilidade de dormir menos de nove horas por noite – abaixo do recomendado para a faixa etária. As associações persistiram mesmo considerando fatores como nível socioeconômico e supervisão dos pais.

A psicóloga Dra. Sabrina Magalhães Teixeira, da Afya Sete Lagoas, desmonta um mito perigoso: o de que crianças “já nascem digitais” e, portanto, podem usar dispositivos sem restrições.

“Isso ignora as necessidades do nosso sistema nervoso”, afirma. Ela explica que o excesso de tela rouba oportunidades cruciais para desenvolver habilidades motoras, sociais e emocionais em interações reais, base futura para um senso crítico saudável nas redes sociais.

O psiquiatra Dr. Cláudio Costa, da Afya Educação Médica de BH, reforça que a primeira infância é a fase do neurodesenvolvimento, onde cada experiência constrói sinapses e molda o cérebro.

“A exposição precoce e excessiva a telas age como um atalho contínuo de estímulos, desviando tempo e energia de atividades essenciais para um desenvolvimento saudável”, alerta o médico.

No Brasil, o cenário amplia a preocupação. Dados do TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos são usuários regulares da internet. Especialistas listam sinais de alerta para os pais: mudanças bruscas de humor, isolamento, queda no rendimento escolar, irritabilidade ao ser interrompido, distúrbios do sono e perda de interesse por atividades antes prazerosas.

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