A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu quais cepas do vírus influenza deverão integrar as vacinas contra a gripe comercializadas e distribuídas no Brasil em 2027. Publicada por meio da Instrução Normativa 475/2026, a atualização segue os parâmetros e recomendações globais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e terá validade a partir de 1º de fevereiro de 2027 para os imunizantes destinados ao Hemisfério Sul.
A reformulação anual da vacina é um procedimento padrão indispensável, já que os vírus respiratórios sofrem mutações genéticas contínuas e novas variantes passam a predominar a cada temporada. O objetivo da vigilância internacional é assegurar que os anticorpos estimulados pela vacina correspondam exatamente às cepas com maior potencial de transmissão e gravidade.
A infectologista do Ânima Centro Hospitalar, Dra. Déborah Mota, explica que o ajuste nas fórmulas decorre de um trabalho rigoroso de monitoramento sentinela em escala planetária.
“A principal mudança para a vacina Influenza de 2027 em relação à composição de 2026 é a substituição da cepa H3N2, além da atualização da cepa B, enquanto a cepa H1N1 foi mantida. Essa seleção é orientada pela vigilância epidemiológica internacional e pelas recomendações da Organização Mundial da Saúde, através de dados coletados em Unidades Sentinelas ao redor do mundo”, destaca a especialista.
Quais cepas estarão presentes nas vacinas de 2027
As vacinas trivalentes destinadas ao público brasileiro deverão conter três cepas virais: duas do tipo A (subtipos H1N1 e H3N2) e uma do tipo B (linhagem Victoria). A fórmula final apresenta pequenas variações técnicas a depender da tecnologia utilizada na fabricação do laboratório.
Para os imunizantes fabricados com tecnologia convencional baseada em ovos embrionados, a composição obrigatória terá:
Influenza A (H1N1): A/Missouri/11/2025 pdm09;
Influenza A (H3N2): A/Darwin/1454/2025;
Influenza B (linhagem Victoria): B/1359417/2021.
Já para as vacinas produzidas a partir de tecnologias celulares (que não utilizam ovos), a cepa da linhagem Victoria será diferente:
Influenza A (H1N1): A/Missouri/11/2025 pdm09;
Influenza A (H3N2): A/Darwin/1454/2025;
Influenza B (linhagem Victoria): B/Pennsylvania/14/2025.
Todas as embalagens desses lotes deverão conter nos rótulos a identificação expressa “CEPAS 2027 HEMISFÉRIO SUL”.
Imunização anual protege contra quadros graves
A médica do Ânima adverte que um erro comum entre a população é acreditar que ter tomado a dose no ano anterior garante proteção duradoura. Além da substituição das variantes circulantes, a resposta de anticorpos induzida pela vacina sofre queda progressiva ao longo dos meses.
“É importante reforçar que a vacina deve ser tomada anualmente, pois a imunidade diminui com o tempo e o vírus sofre alterações. Mais do que prevenir a gripe, a vacinação é fundamental para reduzir complicações, hospitalizações e mortes, especialmente nos grupos de risco”, orienta a Dra. Déborah Mota.
Idosos, crianças pequenas, gestantes, puérperas, profissionais de saúde e pessoas portadoras de comorbidades (como diabetes, cardiopatias e doenças respiratórias crônicas) compõem a faixa mais suscetível à descompensação clínica e pneumonias secundárias causadas pela influenza.
Vacinas para regiões específicas
A resolução da Anvisa também fixou as regras para os imunizantes voltados à temporada 2026-2027 do Hemisfério Norte. Esses produtos serão empregados exclusivamente em campanhas pontuais coordenadas pelo Ministério da Saúde em regiões com dinâmicas climáticas atípicas dentro do território nacional.
Para esse grupo restrito, os frascos trarão a menção “CEPAS 2026-2027 HEMISFÉRIO NORTE” e serão compostos pelas variantes A/Missouri/11/2025, A/Darwin/1454/2025 (H3N2) e B/Tokyo/EIS13-175/2025 (linhagem Victoria).



