
Fui convidado, por uma leitora qualificada, para ouvir e contemplar a beleza da música e letra de um sucesso internacional do momento de nome “Rise Slow” (subir devagar) de Kimo Sounds.
De imediato, percebi a semelhança de conceitos e grande convergência com a filosofia de “Tocando em Frente”, de Almir Sater e Renato Teixeira, porquanto ambas inspiram uma reflexão necessária e tão fora de moda em tempos de cultura do imediatismo e de desejos de reconhecimento precoce que contempla o sucesso sem analisar os sacrifícios que o antecederam ou os caminhos percorridos.
Em função disto, muitos jovens passam a considerar fracasso aquilo que, na verdade, constitui apenas uma etapa natural de suas trajetórias. Esquecem que os degraus não existem somente para nos levar ao alto, mas também para nos preparar para a altura. Sim, cada geração enfrenta desafios próprios.
Os jovens de agora dispõem de ferramentas extraordinárias para aprender, empreender e transformar realidades. Porém, têm a estranha mania em confundir rapidez com maturidade. Afinal, chegar ao topo é uma conquista; permanecer nele sem perder a própria essência exige sabedoria.
Em O Pequeno Príncipe, Saint-Exupéry nos oferece, no diálogo com a raposa, uma delicada lição: a felicidade do encontro começa antes da chegada. A espera não representa necessariamente um vazio entre o desejo e sua realização. Pode ser parte da própria felicidade.
Talvez seja justamente isso que o imediatismo esteja nos roubando: o encantamento da expectativa. Queremos tanto antecipar as conquistas que esquecemos de saborear o caminho. Afinal, o melhor da festa é esperar por ela.
Um exemplo típico é de uma árvore que não cresce apenas para cima. Enquanto seus galhos procuram a luz, suas raízes avançam silenciosamente pela terra.
Com o ser humano acontece algo semelhante: conquistas podem surgir rapidamente, mas caráter, equilíbrio, discernimento e sabedoria exigem cultivo e preparo. Afinal, a sabedoria popular já confirmou que ninguém triunfa sem méritos, porém, não permanecerá inédito sem os méritos que precisam ser construídos a longo da caminhada.
Sim, a IA torna essa reflexão ainda mais urgente. Respostas complexas surgem em segundos, a informação tornou-se abundante. Porém, a sabedoria continua dependendo de reflexão, experiência e responsabilidade.
Aprender a ouvir, reconhecer erros, enfrentar frustrações e recomeçar são degraus invisíveis. Em Tocando em Frente, encontramos a sensibilidade de quem compreende que viver também significa aprender com o caminho.
E a letra de Rise Slow nos permite reconhecer que subir devagar e consciente pode ser mais importante do que simplesmente subir depressa.
Importante: talvez devêssemos perguntar menos aos jovens onde pretendem chegar e mais quem desejam se tornar durante a jornada. Às gerações mais velhas cabe compartilhar experiências sem sufocar a inovação. Às mais novas, compreender que nem todo atalho representa progresso.
E talvez a grande lição seja esta: não tenha medo de subir devagar. Tenha medo de chegar tão depressa que não tenha aprendido o valor da própria caminhada.
Vale a pena ouvir, comparar e analisar as duas lindas e proféticas letras musicadas: Rise Slow e Tocando em frente.
VEJA O VÍDEO DE “Rise Slow” (subir devagar), de Kimo Sounds, ABAIXO:




