
Já fomos a sexta economia mundial. Crescendo nosso PIB, em média, há 40 anos, 1,3% ao ano, em 2025 fomos a décima primeira, perdendo posição para Rússia em guerra e o Canadá que tem apenas 42 milhões de habitantes.
E como explicar que a Rússia que sofre sanções, está isolada de boa parte do Ocidente e ainda assim, ultrapassou o PIB do Brasil em paridade de poder de compra, enquanto o Brasil em paz, não sofre bloqueios, não tem bombas caindo sobre nossa infra-estrutura, tem abundância de terra fértil, água, energia, minérios e mercado consumidor. E, mesmo assim, cresce pouco, empobrece relativamente e envelhece antes de enriquecer? Escolhas erradas!
Sim, Há mais de quarenta anos o Brasil anda de lado. Nossa renda per capita avança em ritmo constrangedor. Perdemos posição na indústria global, com desindustrialização acelerada e com produtividade baixa. Enquanto o mundo acelera, nós discutimos reeleição, corrupção, assistencialismo e criamos uma cultura de tolerância com o fracasso econômico. Sempre temos uma justificativa externa: crise internacional, pandemia, juros globais, guerra, câmbio. Mas quando o vento é favorável, também não decolamos. Falta-nos estrutura. Falta-nos coragem. Falta líder com visão de futuro.
A verdade é que transformamos o Estado em fim, não em meio. Gastamos muito e investimos pouco. A máquina pública tornou-se pesada, cara e ineficiente. A carga tributária sufoca quem produz, mas o retorno em serviços públicos é medíocre.
O empreendedor brasileiro não compete apenas no mercado, ele luta contra o próprio país. Enquanto nações discutem inteligência artificial, reindustrialização e soberania tecnológica, nós seguimos presos a um modelo primário-exportador. Exportamos commodities e importamos tecnologia, semicondutores e inovação.
Além disto, nosso espelho nos mostra uma educação como um retrato mais cruel e fiel do nosso atraso. Menos de 10% dos jovens no ensino médio estão em formação técnica consistente. A escola não conversa com a economia real. Produzimos diplomas, mas não produtividade, sendo que sem capital humano qualificado, não há salto econômico possível. E o debate político? Foi capturado pelo curto prazo. Reformas estruturais como Previdência, Administrativa e Política são adiadas porque custam votos. A lógica eleitoral substituiu a lógica do desenvolvimento. Governa-se para a próxima eleição.
Neste contexto o Brasil não é pobre por falta de recursos naturais mas porque desperdiça potencial humano, institucional e produtivo, sabendo que não se constrói prosperidade distribuindo o que não foi produzido. Não se sustenta bem-estar social sem base econômica sólida. País que não aumenta produtividade acaba socializando mediocridade. É duro dizer, mas necessário: estamos colhendo o que plantamos em quatro décadas de improviso, corporativismo e ausência de projeto nacional consistente.
Do outro lado do mundo, a Rússia cresce sob pressão externa. O Brasil encolhe sob pressão interna: burocracia, insegurança jurídica, baixa qualificação, Estado caro e cultura avessa à meritocracia. Porém, não precisamos de guerra para reagir.
Precisamos de responsabilidade, reforma educacional séria, simplificação tributária real, disciplina fiscal verdadeira, política industrial moderna e segurança jurídica inegociável. Quando teremos isto? Sim, precisamos de um líder de peso para ficar na história.
Por horas, poucas esperanças! Porem, todos sabemos que prosperidade é construída e que, quase meio século já se passou. Tempo demais para aprender essa lição básica.




