
Ao nome do livro do escritor Amin Maalouf, “O Naufrágio das Civilizações”, tomo a liberdade de acrescentar o que vejo e assisto nestes dias de março de 2026: em curso e nós a bordo.
No livro, Maalouf nos mostra, com clareza, as principais feridas do mundo dito moderno: Conflitos identitários, Islamismo radical e o ultraliberalismo, fatores nos quais evidencia que o que está em jogo não é apenas território, poder militar ou influência regional. É algo mais profundo: A incapacidade crescente da humanidade de conviver com a diferença, criar pontes, sem recorrer à destruição.
Sim, Maalouf é cirúrgico ao identificar essas feridas porque elas não são fenômenos isolados; elas se retroalimentam. E o que estamos vendo no eixo EUA/Israel x Irã é justamente a convergência perigosa dessas três forças.
Primeiro, os conflitos identitários: O Oriente Médio há décadas deixou de ser apenas um tabuleiro geopolítico para se tornar um campo de afirmações existenciais. Israel luta por sobrevivência e legitimidade histórica; o Irã se vê como guardião de uma identidade civilizacional e religiosa que resiste ao Ocidente.
Segundo, o islamismo radical, que o Irã instrumentaliza de forma indireta. Não se trata apenas de religião, mas de estratégia de poder. Grupos armados e ideologizados funcionam como extensão de influência. Isso cria um ambiente de guerra permanente, difusa, sem fronteiras claras e extremamente difícil de encerrar.
Terceiro, o ultraliberalismo, que Maalouf critica como uma lógica que fragmenta o mundo, enfraquece Estados e amplia desigualdades, gera frustração, ressentimento e terreno fértil para radicalizações. O resultado é um mundo instável e inflamável. A pergunta inevitável é: até onde isso vai?
Não está fácil de responder. Segundo Konstantinos Kavális (poeta grego que faz prólogo do livro): “O que nos reserva o futuro só os deuses conhecem.” Sim, o que podemos saber, por experiências vividas, é que civilizações não colapsam apenas quando são derrotadas.
Colapsam quando perdem a capacidade de construir pontes, de dialogar, de reconhecer limites. Quando tudo vira confronto, o futuro deixa de ser projeto coletivo e passa a ser disputa permanente. E este é o verdadeiro naufrágio que estamos assistindo mundo afora num mundo polarizado e sem rumo para o futuro aonde o “nós” deixou de existir e entrou em cena “O nós contra eles”. Brasil igual!
Verdade é que civilizações não param por consciência, param por exaustão ou por medo. Hoje, ainda existem freios: o risco da escalada nuclear, os impactos econômicos globais (estamos assistindo agora, março de 2026) e, ainda, a pressão das próprias populações.
Porém, o que vemos é que “O naufrágio das civilizações” que nos arrasta de maneira célere para o fim, decorre da falência da convivência humana.
Sim, ao aniquilar o outro que pensa diferente, evidenciamos nossa incapacidade moral de compartilhar o mesmo espaço no planeta. Tornamo-nos em povos bárbaros de novo. O escritor nos mostra e nos avisa em seu livro.
Vale a leitura. Fica o convite: Leia-o!




