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Deputado propõe tratamento com Polilaminina pelo SUS de Goiás

Antônio Gomide é autor do PL para Integrar a inclusão da Polilaminina experimental no SUS goiano

A polilaminina, substância experimental desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob liderança da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália poderá ser disponibilizada pelo SUS de Goiás.

A forma polimerizada da laminina, uma proteína natural presente no corpo humano, especialmente abundante durante o desenvolvimento embrionário e na placenta, funciona como um “andaime biológico” ou matriz estrutural para facilitar a regeneração nervosa.

Como funciona

O mecanismo de ação da polilaminina consiste em ser aplicada diretamente na área lesionada da medula espinhal, preferencialmente durante uma cirurgia de descompressão ou por injeção, idealmente nas primeiras 72 horas após o trauma (fase aguda da lesão). Nesse período crítico, antes da formação de cicatrizes que impedem a regeneração, a substância estimula a reconexão de axônios (fibras nervosas) rompidos, reduz inflamação, cria um ambiente favorável para o crescimento neural e pode restaurar parcial ou totalmente movimentos em casos de paraplegia ou tetraplegia causados por traumas recentes, como acidentes de trânsito, quedas ou lesões esportivas.

Importante: a polilaminina não é indicada para lesões medulares crônicas (antigas, com meses ou anos), pois o tecido já cicatrizou de forma que bloqueia a regeneração efetiva. Seus resultados preliminares em experimentos com animais e em um pequeno grupo de pacientes (estudos acadêmicos iniciais) foram promissores, com relatos de recuperação de movimentos em alguns casos, mas ainda faltam evidências científicas robustas de longo prazo.

Anvisa aprovou

Quanto ao estágio atual da pesquisa, em janeiro de 2026, a Anvisa aprovou o início do estudo clínico de fase 1, focado exclusivamente na avaliação de segurança do produto em humanos. Esse ensaio envolve cinco pacientes voluntários com lesões agudas completas na medula torácica (entre T2 e T10), com idades entre 18 e 72 anos, e aplicação obrigatória em até 72 horas do trauma. O objetivo não é medir eficácia (isso virá em fases posteriores), mas identificar possíveis riscos e efeitos adversos. O estudo é conduzido pela UFRJ e Cristália, com acompanhamento de comitê de ética e monitoramento regulatório especial devido à inovação. Até o momento (final de fevereiro de 2026), o tratamento permanece experimental: acessos fora do estudo oficial ocorrem via “uso compassivo” (autorizado pela Anvisa em casos graves sem alternativas) ou decisões judiciais — com cerca de 19 aplicações relatadas até agora, segundo o Cristália.

Bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da UFRJ

Proposta goiana

Agora, no âmbito político em Goiás, o deputado estadual Antônio Gomide (PT) apresentou, em 19 de fevereiro de 2026, um projeto de lei na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) que busca integrar o uso experimental da polilaminina ao SUS estadual para pacientes com lesões medulares agudas e paralisias.

A proposta autoriza a oferta do tratamento na rede pública goiana, sempre respeitando as normas da Anvisa e do Ministério da Saúde, e cria protocolos clínicos claros e padronizados para indicação, aplicação e acompanhamento. Um dos principais objetivos é eliminar a dependência de ações judiciais — como ocorreu em janeiro de 2026, quando um paciente goiano recebeu a substância no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER), em Goiânia, por decisão judicial e uso compassivo.

Entre os pontos centrais do projeto estão:

Prioridade absoluta no atendimento hospitalar: triagem imediata, exames rápidos, cirurgias e reabilitação precoce em unidades públicas e conveniadas.
Previsão de transporte aéreo gratuito quando necessário para agilizar o socorro em até 72 horas.
Obrigatoriedade de parcerias institucionais, especialmente com a UFRJ e o Cristália.
Destinação de recursos estaduais para aquisição, produção e aplicação da substância.

“Este projeto busca romper o ciclo de judicialização e sofrimento, incorporando a polilaminina ao SUS goiano com transparência e equidade, trazendo esperança e oportunidade de recuperação a quem mais precisa”, justificou o deputado Gomide.

A iniciativa ganhou destaque na mídia goiana nos dias seguintes, com cobertura em veículos como o Portal da Alego, Jornal Opção, Goiás 24/6, O Popular e outros. Se aprovado, Goiás pode se tornar pioneiro ao oferecer esse acesso experimental pelo SUS estadual de forma estruturada, priorizando casos agudos e reduzindo desigualdades no acesso.

O projeto tramita na Alego e seu andamento pode ser acompanhado no portal oficial (portal.al.go.leg.br). Enquanto a ciência avança com rigor, o debate une esperança, cautela e a busca por políticas públicas inovadoras.

(Fontes: Internet, ALEGO)

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