Entre os dias 19 e 25 de abril, uma experiência que extrapola os limites da sala de aula ganhou forma no coração da Amazônia. A edição 2026 do programa UniEVANGÉLICA Cidadã Itinerante levou estudantes e professores até a Ilha do Camaleão, no município de Anamã, onde vivem comunidades indígenas da etnia Ticuna e também ribeirinhos, às margens do Rio Solimões.
Mais do que atendimentos em saúde, a expedição se consolidou como uma vivência intensa de formação humana, espiritual e profissional.

Asas de Socorro
Criado em 2012, o projeto é uma das principais iniciativas de extensão da instituição e acontece em parceria com a Missão Asas de Socorro, responsável pelo suporte logístico em regiões de difícil acesso.
Ao todo, 17 acadêmicos dos cursos de Medicina, Odontologia, Enfermagem, Fisioterapia, Psicologia e Agronomia, participaram da missão, após um processo seletivo rigoroso. Durante a semana, realizaram atendimentos clínicos, ações educativas, oficinas e atividades voltadas à promoção da cidadania.
Mas, para quem esteve lá, o que ficou não cabe apenas em relatórios.
“Foi impossível voltar o mesmo”
A experiência, marcada por dias intensos no barco e contato direto com a realidade amazônica, provocou mudanças profundas nos participantes.
Para a estudante de Enfermagem Sara Rubert Picolini Murillo, a vivência foi transformadora em nível pessoal.
“Eu sempre fui uma pessoa mais contida, mas entendi que é impossível passar por essa experiência e sair ilesa. Parte de mim ficou na Amazônia. O rio e o serviço me atravessaram de uma forma que mudou minha visão de mundo e de cuidado”, relatou.
A percepção de transformação também aparece no depoimento do professor de Medicina, Dr. Hermon Santos Branquinho, que definiu a semana em uma palavra: encontro.
“Foi um encontro com Deus, com a minha vocação, com a minha profissão e com pessoas incríveis. Guardo cada um no coração e espero que seja a primeira de muitas missões.”

Aprendizado além da técnica
Se, por um lado, os atendimentos reforçaram habilidades clínicas, por outro, a convivência em equipe e o contato com as comunidades ampliaram o entendimento sobre o cuidado em saúde.
A acadêmica de Medicina Maria Eduarda Queiroz Sena Leão, destacou o impacto da experiência na construção profissional.
“Foi algo que me acrescentou muito, tanto como pessoa quanto na medicina. Aprendi sobre a profissão dentro e fora da técnica, principalmente no cuidado com o outro.”
Na mesma linha, Antônio Edvaldo Vasconcelos, estudante de Enfermagem, ressaltou o valor do trabalho multiprofissional.
“Não fizemos algo apenas dentro das nossas profissões, mas somando vocações. Conseguimos ajudar, mesmo com a sensação de que ainda há muito a ser feito.”
Bastidores que sustentam a missão
Além dos atendimentos, os participantes enfatizaram o papel fundamental das equipes de apoio. A logística da expedição — que inclui navegação, alimentação e organização — foi lembrada com gratidão.
A estudante Gabriela Santos Monteiro Souza, de Fisioterapia, destacou o trabalho coletivo:
“Nada disso seria possível sem os que estavam nos bastidores. Desde a cozinha até a condução do barco, todos foram essenciais para que a missão acontecesse com tanto cuidado.”
O reconhecimento também se estendeu à equipe da Asas de Socorro, frequentemente mencionada como exemplo de serviço e dedicação.
“Ao falar deles, lembro do amor de Deus”, resumiu a acadêmica de Psicologia Ana Laura Batista Vilarinho.
Laços que permanecem
Entre atendimentos, devocionais e longas viagens de barco, o convívio criou vínculos duradouros. A sensação de pertencimento e amizade foi um dos pontos mais citados pelos participantes.
“Construí amizades que levarei para a vida”, afirmou o estudante de Medicina Édson Júnio Pereira. Já Aryadne Rodrigues Miguel, da Psicologia, destacou a disposição coletiva: “Todos estavam prontos para dar um passo a mais pelo outro, seja na equipe ou nas comunidades.”
Para muitos, a saudade chegou antes mesmo do retorno. “Sinto falta da rotina, dos dias no barco e do contato genuíno com as comunidades”, compartilhou o professor Murilo Gonçalves, que também participou da expedição representando o curso de Agronomia.

Formação humanizada
Coordenado pelo pastor Alécio Silva, o programa reforça a proposta da UniEVANGÉLICA de integrar conhecimento técnico, prática e compromisso social. A iniciativa também inclui etapas de preparação, reuniões institucionais e produção científica a partir das experiências vividas.
Mais do que números ou procedimentos realizados, o saldo da expedição se revela nas mudanças individuais e coletivas.
“Foi uma experiência que expandiu horizontes e nos tirou da ‘caixinha’”, resumiu o professor Murilo.
Em meio aos rios do Baixo Solimões, a travessia foi também interna — marcada por encontros, aprendizados e um senso renovado de propósito que, para os participantes, passa a integrar suas vidas, completa o pastor Alécio Silva.
Ele acrescenta: “Em uma ação extensionista de caráter missional junto a comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia, promovemos a integração multiprofissional com profundo respeito à cultura local. A espiritualidade atua como eixo aglutinador desse processo. O impacto transformador gerado por essa experiência na vida de nossos acadêmicos e colaboradores — evidenciado em seus relatos — deixa claro que o objetivo do projeto foi alcançado”.
Louvamos a Deus pela colaboração e parceria com a Asas de Socorro durante os atendimentos e procedimentos. Os números alcançados superaram as expectativas, e vidas foram tocadas; a dignidade de muitas pessoas foi restaurada por meio dos gestos e das habilidades dos nossos alunos.
As palavras de uma senhora, após ser atendida, resumem isso muito bem:
— Nunca, nunca ninguém nos atendeu desta maneira.




