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O efeito da troca do regime de trabalho 6 x 1 por 5 X 2

By Moacir de Melo

É salutar reconhecer a importância da qualidade de vida do trabalhador brasileiro com as mudanças em votação no Congresso Nacional, em discussão e votação, nestes dias de maio de 2026, de uma PEC que altera, de forma legal, engessada, o trabalho formal (carteira assinada), em todo território nacional.

E seria necessário, também, conhecer os desafios estruturais da economia brasileira que, parecem, não foram ou não tiveram tempo suficiente para avaliação de nossos dirigentes em processo de reeleição.

Sim, a discussão sobre o fim da escala 6×1 não poderia ser tratada apenas como um conflito entre direitos trabalhistas e interesses empresariais.

Sem atacar os gargalos estruturais brasileiros, a medida eleva custos produtivos e vai pressionar preços e reduzir competitividade. Sim, nossa produtividade é baixíssima em relação ao resto do planeta, principalmente em decorrência de uma escola do ensino médio, que não preparou nossas gerações dos últimos 40 anos como profissionais para o mercado, mas apenas os preparou para, eventualmente, passar num vestibular da vida e, com isto, satisfazer o lema “universidade para todos”.

Resultado: os jovens, quando conseguem terminar o ensino médio, nada aprenderam que contemple um emprego ao nível escolar. Evidente, que reduzir a jornada de trabalho sem ganho de produtividade aumenta os custos de produção de qualquer negócio, de maneira proporcional.

Com os pesados encargos trabalhistas que as empresas brasileiras suportam, além da tributação complexa e excessiva, burocracia trabalhista, insegurança jurídica, excesso de obrigações acessórias, juros estratosféricos, afinal, tudo que compõe o custo Brasil, as alterações trabalhistas, em votação, terão impacto diferente aqui em comparação com economias mais eficientes do planeta que nossos líderes políticos citam.

Tais custos serão incorporados aos preços dos produtos ou serviços, imediatamente, e, com isto, ficaremos ainda mais sem competitividade mundo afora, além de inflação de custos que chegará aos produtos.

Cá no nosso meio, temos consciência que grandes empresas conseguem adaptar escalas com mais facilidade. Pequenos negócios, com certeza, enfrentarão maiores dificuldades operacional e financeira. Sim, setores diferentes exigem tratamentos diferentes: Comércio, indústria, agronegócio e serviços possuem realidades distintas. Assim, um modelo único para todos os setores não é a solução mais eficiente.

Outra verdade inevitável: as mudanças nas jornadas de trabalho previstas vão acelerar investimentos em tecnologia, digitalização e melhoria de processos. O desemprego aumentará. A Inflação, também! Quem viver, verá!

Lamentamos que o momento atual seria ideal para o país avançar em reforma administrativa, simplificação tributária, infra-estrutura e redução da burocracia, e não aumentar ainda mais os gastos em medidas que não melhoram, em nada, o país.

Afinal, empresas brasileiras disputam mercado com países de custos menores. Mudanças, quaisquer que sejam, precisariam considerar a posição competitiva do Brasil no cenário global. Porém, nada disto está sendo levado em consideração. O resultado será, com certeza, a desindustrialização brasileira, já acelerada, que vai andar mais rápida e pequenos negócios já exauridos pela competição internacional terão mais dificuldades, fecharão as portas.

Só posso lamentar, mais uma vez, o que fazem com nosso país e nossa pátria!

Moacir de Melo

 

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