Estilo/Comportamento

Férias e Festas Juninas acendem alerta em Goiás

Acidentes domésticos com queimaduras em crianças disparam em junho e julho

A chegada do mês de junho traz consigo a alegria dos arraiás, festas juninas e a proximidade das férias escolares. No entanto, por trás da tradição das fogueiras e dos momentos de lazer em família, esconde-se um risco à saúde.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) os meses de junho e julho concentram o maior pico sazonal de internações por queimaduras no país, com a organização inclusive realizando campanhas como a chamada “Junho Laranja”.

A entidade revela que as crianças representam a grande maioria das vítimas de acidentes domésticos por escaldadura — as severas lesões provocadas pelo contato com líquidos superaquecidos, como caldos e óleo quente.

Ânima Centro Hospitalar

Para conscientizar os pais em Goiás, o Ânima Centro Hospitalar reforça as orientações de prevenção e atendimento imediato.

De acordo com o pediatra e plantonista do Pronto-Atendimento Infantil do hospital, Dr. Lucas Sanches, a desatenção no ambiente doméstico e a falta de barreiras de proteção perto do fogo são os principais estopins para tragédias familiares.

O perigo mora nos detalhes: da cozinha ao redor da fogueira

A cozinha é, historicamente, apontada como o local mais perigoso da casa para uma criança. Durante o preparo das comidas típicas juninas, o tráfego de panelas pesadas e alimentos ferventes exige atenção redobrada.

O médico destaca que pequenas mudanças de comportamento na rotina diária são capazes de evitar lesões irreversíveis. “Na cozinha, mantenha cabos de panelas virados para dentro do fogão, use as bocas traseiras para líquidos quentes e jamais segure criança no colo ao cozinhar.

Em festas juninas, evite que as crianças se aproximem de fogueiras ou fogos; prefira fogueiras cercadas e mantenha baldes de água por perto. Líquidos ferventes (como caldos e óleo) devem ficar fora do alcance das crianças”, orienta o Dr. Lucas Sanches.

O erro que agrava a lesão: o perigo dos remédios caseiros

Quando o acidente acontece, o desespero familiar frequentemente abre espaço para mitos populares nocivos.

A aplicação de substâncias caseiras como pasta de dente, manteiga, pó de café ou até o uso de gelo direto sobre a ferida é um erro grave que destrói tecidos saudáveis e eleva o risco de infecções bacterianas severas.

No ambiente hospitalar, a retirada desses produtos exige uma fricção dolorosa na pele já lesionada da criança, gerando sofrimento desnecessário. O protocolo correto de primeiros socorros preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e detalhado pelo pediatra baseia-se em ações rápidas e puramente físicas:

● Afastamento imediato: Afastar a criança da fonte de calor e retirar as roupas que não estejam aderidas à queimadura;
● Resfriamento correto: Resfriar a área afetada com água corrente limpa em temperatura ambiente (nunca use gelo!) por 15 a 20 minutos;
● Proteção limpa: Cobrir a lesão com um pano limpo e seco (como um lençol ou gaze), evitando o uso de algodão solto para não grudar na ferida; DGBB Comunicação & Estratégia
● Zero substâncias: Não passar absolutamente nenhum produto ou pomada caseira sobre a pele queimada;
● Hidratação: Oferecer água caso a criança esteja consciente, mas sem forçar a ingestão.

Quando correr para o hospital?

Os critérios de gravidade A hesitação dos pais em buscar ajuda profissional pode comprometer a recuperação do tecido e deixar sequelas estéticas e funcionais na criança. O Dr. Lucas Sanches alerta que existem critérios clínicos claros que exigem o deslocamento imediato para o pronto-atendimento. A família deve procurar atendimento médico de urgência sem vacilar se:

● A queimadura atingir áreas nobres ou sensíveis, como face, mãos, pés, genitália ou grandes articulações (como cotovelo e joelho);
● Houver o surgimento de bolhas grandes ou se a pele apresentar aspecto carbonizado ou espesso;
● A área total queimada for maior que a palma da mão da própria criança;
● Houver qualquer indício de inalação de fumaça, manifestado por tosse, rouquidão ou dificuldade respiratória;
● A vítima for uma criança muito pequena (menos de 2 anos) ou possuir alguma doença prévia associada.

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