Às margens do asfalto que corta o Nordeste goiano, onde o Cerrado se faz mais imponente, uma história de trezentos anos começa a ganhar um novo capítulo — e, desta vez, com a caneta na mão de quem sempre guardou esse chão.
O convênio assinado na última quinta-feira (26) entre Iphan e Sebrae não é apenas burocracia de gabinete em Brasília; é o reconhecimento oficial de que o Quilombo Kalunga é o coração pulsante da nossa identidade.
Não se trata apenas de tombar pedras ou limites geográficos, mas de blindar o saber. O projeto, que vai durar 16 meses, quer ouvir quem vive em Cavalcante, Teresina e Monte Alegre de Goiás para entender que o patrimônio ali está no sotaque, na reza, no tempero e na resistência de 7,5 mil pessoas.
É a união do zelo histórico com a estratégia econômica para que a dignidade chegue junto com a preservação.
O Mapa do Território
O maior território quilombola do país agora terá suas riquezas inventariadas de forma participativa. Isso significa que o Iphan não vai ditar o que é importante; as 39 comunidades é que vão apontar onde mora a sua alma, seja no artesanato ou nas áreas de uso coletivo. É o georreferenciamento do afeto e da história.
Economia com Identidade
O Sebrae entra na jogada para provar que a cultura Kalunga é um ativo valioso. A ideia é mapear oportunidades que gerem renda sem agredir o território, transformando a tradição em desenvolvimento sustentável. Como disse Décio Lima, presidente do Sebrae, o trabalho é sobre raízes; e Leandro Grass, do Iphan, reforça: o protagonismo agora é de quem protege a Chapada há séculos.
Você conhece a Chapada dos Veadeiros além das trilhas turísticas?
Fotos: Incra, Governo de Tocantins, Associação Quilombo Kalunga, Renato Feitosa, Weverson Paulinho e Letícia Maciel




