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Regras da economia: e quando faltar o pão?

By Moacir de Melo

Diz o adágio popular que “em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão.” A sabedoria popular talvez nunca tenha sido tão apropriada para pensar o futuro do Brasil do momento.

Afinal, até quando será possível sustentar uma multidão com milhões de brasileiros que dependem, direta ou indiretamente, de programas públicos para complementar sua renda e que se tornaram, por opção, dependentes de favores do estado para sobreviver? E quando o pão faltar o que pode acontecer?

O problema não está em ajudar quem realmente precisa. Sou humanista por excelência. Uma sociedade civilizada não abandona seus pobres. Nunca! O risco começa quando a assistência deixa de ser uma ponte para a autonomia e passa a funcionar como substituto permanente da capacidade de produzir e trabalhar. E isto é o que está acontecendo em nosso país.

Ora, nenhum país, em época nenhuma, conseguiu e conseguirá distribuir indefinidamente aquilo que não produz. Só que, para aumentar a produção e nossa baixa produtividade teríamos que incentivar o empreendedorismo, o trabalho, a inovação, diminuir impostos, apoiar empresas que geram empregos e receitas para o governo, ou seja, tudo que não estamos fazendo.

Verdade é que nosso país está diante de uma equação perigosa: um Estado que gasta mais do que arrecada, uma dívida pública que se aproxima de 83% do PIB, que, com uma taxa de juros de mais de 14% ao ano, que cresce de maneira assustadora anualmente, bem como as despesas obrigatórias.

É sabido que quando a dívida cresce mais rapidamente que a economia, chega a conta. Ela aparece nos juros elevados, nos impostos maiores, na perda do poder de compra, na redução dos investimentos e na dificuldade de criar empregos. E, no final, atinge justamente os mais pobres, até porque não existem milagres: tudo isto vai para o preço dos produtos.

Contudo, o mais preocupante é que nossos líderes políticos só discutem quem receberá e nada de quem pagará, sem preocupação com o que virá, inexoravelmente! Sim, governos passam, mas a conta permanece. Promessas eleitorais podem produzir aplausos no presente, mas não eliminam a matemática de que receita, crédito e dívida não são infinitos.

Lamentavelmente nossos governantes continuam apostando que as coisas caem dos céus, ampliando despesas, benefícios e privilégios, apostando que sempre haverá alguém disposto a financiar a conta. A questão é: até quando?

Sabemos todos que o caminho sempre foi e será enfrentar reformas capazes de aumentar a produtividade, reduzir desperdícios, simplificar impostos, estimular investimentos e criar empregos de verdade.

Sim, a história nos ensina uma coisa simples: enquanto há pão suficiente, todos podem discutir quem está certo. Só que na atual conjuntura da economia brasileira com cenário aterrorizador de desindustrialização com perda de empregos em todos os setores, comércio em ebulição total, com quebradeiras, fechamentos e demissões em massa, baixíssima produtividade em todos os setores e altas dificuldades para empreendedores, logo, logo o pão começará a faltar.

E aí a briga deixa de ser política polarizada. Tornará social. O resultado poderá ser catastrófico. E, nessa hora, ninguém ganha. Todos perdem. Quem viver, verá!

MOACIR DE MELO
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