BrasilMeio Ambiente

Biodiversidade invisível da Mata Atlântica pode revelar novas soluções biotecnológicas

Pesquisa da Apoena Biotech, em parceria com a Vale, investiga microrganismos da Mata Atlântica e amplia conhecimento sobre a biodiversidade do bioma

Uma expedição científica realizada pela Apoena Biotech, em parceria com a Vale, busca revelar uma parcela pouco conhecida da biodiversidade da Mata Atlântica: os microrganismos presentes no solo, na água e associados às plantas.

A pesquisa foi realizada em agosto, na Reserva Natural Vale, em Linhares (ES), e pretende identificar, isolar e preservar microrganismos com potencial para futuras aplicações biotecnológicas, além de ampliar o conhecimento científico sobre um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do país.

Originalmente distribuída por cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados em 17 estados, a Mata Atlântica conserva atualmente aproximadamente 24% de sua cobertura original, segundo os dados apresentados pelo projeto. A fragmentação do bioma reforça a importância de conhecer e preservar espécies e organismos que ainda são pouco estudados.

Na Reserva Natural Vale, que possui aproximadamente 23 mil hectares, foram coletadas amostras de diferentes ambientes

Biodiversidade microscópica

Na Reserva Natural Vale, que possui aproximadamente 23 mil hectares, foram coletadas amostras de diferentes ambientes, incluindo florestas, várzeas, brejos, campos nativos, matas ciliares e áreas associadas a bromélias. O plano científico contemplou 22 espécies vegetais, cinco tipos de solo e dois ambientes aquáticos.

“Existe uma biodiversidade microscópica enorme e ainda pouco conhecida. Nosso objetivo é transformar esse conhecimento em uma plataforma de inovação que possa ser revisitada ao longo dos anos”, afirma Patrícia Mendes, diretora de Novos Negócios e Estratégia Comercial da Apoena Biotech.

Da biodiversidade à inovação

Após a coleta, os microrganismos passam por processos de isolamento, preservação e identificação molecular. Técnicas de bioinformática ajudam a analisar características genéticas e funções biológicas que podem indicar potencial para pesquisas futuras.

A coleção da Apoena Biotech reúne atualmente 1.191 microrganismos preservados, sendo 381 identificados molecularmente. Outros 109 já passaram por análises de expressão gênica, com pesquisas direcionadas principalmente aos setores agrícola e cosmético.

Segundo a empresa, a plataforma também poderá apoiar estudos futuros em áreas como alimentos, saúde animal, indústria farmacêutica, biotecnologia industrial e química verde.

Para Márcio Santos, gerente de Recursos Naturais e Áreas Protegidas da Vale, a iniciativa amplia o olhar sobre uma dimensão menos visível da biodiversidade e reforça o papel da Reserva Natural Vale na conservação e na produção de conhecimento científico.

A expedição foi realizada com autorização do SISBio/ICMBio e seguindo a legislação brasileira sobre acesso ao patrimônio genético. Os materiais coletados serão cadastrados no SisGen, conforme as normas vigentes.

Mais do que buscar imediatamente um novo produto, a iniciativa pretende formar um acervo científico capaz de sustentar novas pesquisas e ampliar o conhecimento sobre os microrganismos da Mata Atlântica.

Fonte: Apoena Biotech e Vale
  • ▼
  • Fonte da informação:
  • ▼
  • Leia na fonte original da informação
  • Artigos relacionados

    Deixe um comentário

    Botão Voltar ao topo