O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado no dia 11 de outubro, reforça o debate sobre uma das doenças crônicas mais prevalentes do país.
E quando o diagnóstico atinge a terceira idade, as metas e os cuidados precisam mudar radicalmente: focar unicamente na redução do número da balança pode acelerar a perda de massa magra, enfraquecer o organismo e roubar a independência do paciente.
Além da balança
O alerta é de especialistas do Ânima Centro Hospitalar, em Anápolis. A endocrinologia e a cardiologia da unidade destacam que o objetivo na maturidade não é apenas perder peso, mas sim controlar as comorbidades associadas — como diabetes e hipertensão —, preservar as funções cardíacas e proteger os músculos e as articulações contra a fragilidade física.
Com o processo natural de envelhecimento, o corpo humano passa a perder de 3% a 8% de massa muscular por década a partir dos 30 anos, índice que se agrava ainda mais entre os indivíduos sedentários. Quando a perda de massa e função muscular se soma ao excesso de gordura corporal, estabelece-se o que a medicina classifica como obesidade sarcopênica.
A médica endocrinologista do Ânima Centro Hospitalar, Dra. Morgana Ciambelli, explica que a abordagem clínica precisa priorizar a avaliação da composição corporal: “A ideia nunca deve ser olhar para um número isolado na balança. O tratamento da obesidade, tanto no jovem quanto no idoso, busca a perda de peso associada à remissão ou ao controle rigoroso das comorbidades e à avaliação da composição corporal.
O objetivo é perder o máximo de tecido adiposo (massa gorda) com a menor perda possível de massa magra”, esclarece a Dra. Morgana.

A especialista adverte sobre os riscos severos das dietas restritivas adotadas por conta própria: “A obesidade sarcopênica ganha uma importância clínica expressiva com o envelhecimento da população, pois predispõe a limitações funcionais, osteoporose e maior risco de quedas e fraturas. Quando o idoso faz dietas restritivas sem orientação profissional, ele corre o risco de desenvolver deficiências nutricionais e agravar a perda muscular, gerando um prejuízo funcional importante.
Acompanhamento multidisciplinar
O tratamento exige acompanhamento multidisciplinar, com aporte proteico adequado, medicamentos sob prescrição quando indicados e exercícios aeróbicos combinados com treinos de força e resistência”, pontua a endocrinologista. Gordura visceral: uma fábrica inflamatória que sobrecarrega o coração O acúmulo de gordura corporal, especialmente na região abdominal (gordura visceral), tem impacto direto sobre o sistema cardiovascular.
A médica cardiologista do Ânima, Dra. Lenita Vieira Braga, detalha que esse tecido atua como um órgão endócrino inflamatório. “A gordura visceral não funciona apenas como uma reserva estática de energia. Ela produz substâncias inflamatórias e favorece alterações metabólicas, como resistência à insulina, aumento do colesterol e elevação da pressão arterial. Com isso, o coração é forçado a trabalhar sob maior esforço contínuo para bombear o sangue”, explica a Dra. Lenita.




