
Muito antes dos parlamentos, constituições e códigos jurídicos, uma lei já governava o mundo: a capacidade de adaptação. Adão vivia no paraíso e, ao envolver-se com Eva, teve de se adaptar. Essa lei foi revelada pela natureza e confirmada pela história.
Charles Darwin tornou o princípio conhecido ao explicar a evolução das espécies. Sua teoria da seleção natural mostrou que a sobrevivência depende da adaptação às mudanças ambientais. Embora a frase “adapte-se ou morra” não seja dele, ela resume o espírito de sua descoberta.
Mas Darwin não estava sozinho nessa percepção. Séculos antes, Heráclito de Éfeso já ensinava que tudo flui e que ninguém entra duas vezes no mesmo rio. O mundo muda continuamente e resistir ao movimento da história é ilusão. Depois, o economista Joseph Schumpeter descreveu esse fenômeno no capitalismo ao cunhar a expressão “destruição criativa”: novas tecnologias e modelos de negócio substituem os antigos, impulsionando o progresso.
A história oferece inúmeros exemplos. A Revolução Industrial transformou economias agrícolas em potências manufatureiras. Empresas gigantes desapareceram por ignorarem a inovação, enquanto outras prosperaram porque compreenderam que permanecer iguais significava caminhar para a irrelevância.
O Brasil encontra-se diante de um momento decisivo. A transição energética, a digitalização, a inteligência artificial e a reorganização das cadeias globais exigem respostas rápidas e consistentes.
A indústria automobilística, construída ao longo de oito décadas, é um exemplo claro: enfrenta concorrentes competitivos e profundas mudanças tecnológicas. Adaptar-se é indispensável. Porém, adaptação não significa aceitar passivamente qualquer circunstância. Países que lideram a economia mundial (EUA, Coreia, União Europeia) investem em educação, pesquisa, infraestrutura, inovação e políticas industriais, estabelecendo regras para fortalecer setores essenciais. Por aqui, estamos no sentido oposto.
Adaptar-se é competir melhor, não em desvantagem permanente. Resta a questão: como adaptar-se em um ambiente desfavorável, com elevada carga tributária, burocracia sufocante, instabilidade jurídica e abertura para empresas estrangeiras?
O Brasil não pode escolher entre mudar ou permanecer como está. A desindustrialização acelerada exige ação imediata de nossos líderes.
É preciso adaptar com projeto, conhecimento e confiança nas próprias capacidades, pois a natureza jamais premiou a imobilidade. A história também não. Entre o medo da mudança e a coragem de evoluir, as grandes nações escolheram o segundo caminho. Essa é uma das leis mais antigas e atuais para o Brasil. A questão é: quando nossos governantes acordarão, antes de perderem o bonde da história e comprometerem a industrialização conquistada a custo de tanto esforço?Vamos ficar omissos ou em cima do muro? Não posso acreditar!…




