A Chapada dos Veadeiros tem centenas de cachoeiras catalogadas — e é impossível conhecer todas numa vida só. Mas ficou uma pergunta rondando: quantas ainda não têm nome? Quantas quedas seguem despencando serra abaixo, longe de qualquer trilha, sem nunca ter entrado num mapa?
Para tentar responder, fizemos uma experiência — em vez de esperar alguém tropeçar nelas, pedimos para um algoritmo procurar.

Ler o relevo como um rio leria
A ideia é simples de contar e trabalhosa de fazer. A gente parte de um modelo de elevação do terreno — um mapa de altitudes da região inteira, medido por satélite. A partir dele, o detector simula como a água escorreria por aquele relevo e desenha a rede de drenagem, de riachos a rios.
Depois percorre cada trecho de rio medindo o gradiente: o quão rápido o terreno cai ali. Porque cachoeira não é só terreno íngreme — é um rio que cai de repente. Onde os dois sinais coincidem, muita água passando por um degrau abrupto, está o que os geólogos chamam de knickpoint: a assinatura, no relevo, de uma provável queda d’água.




