Saúde

Dor nas pernas e gordura localizada: entenda o lipedema e os caminhos para o bem-estar feminino

"Sensibilidade e o padrão de distribuição do tecido adiposo são as chaves para reconhecer o problema"

Manchas roxas involuntárias, dor ao toque e um inchaço nas pernas que não diminui mesmo com dieta e exercícios físicos. Essa realidade, frequentemente ignorada ou atribuída de forma equivocada ao ganho de peso comum, é o retrato do lipedema — uma vascularopatia e condição crônica do tecido gorduroso que afeta prioritariamente o público feminino.

Em entrevista à Revista Planeta Água, a médica endocrinologista Dra. Morgana Lima Maia Ciambelli, formada pela Universidade de São Paulo (USP), destacou que a sensibilidade e o padrão de distribuição do tecido adiposo são as chaves para reconhecer o problema.

Sinais físicos e o paradoxo do emagrecimento

O quadro clínico do lipedema se diferencia pelo acúmulo simétrico de gordura nos membros inferiores, mantendo a região dos pés preservada. “Caso a paciente perceba que está acontecendo um acúmulo dessa gordura nos membros inferiores, que geralmente também está correlacionado a quadros de maior sensibilidade local, uma dor local, tem uma frequência maior de formar hematomas, isso pode servir de alerta”, orientou a médica.

Outro ponto crucial é a resposta do organismo à perda de peso. Enquanto na obesidade o tecido adiposo é reduzido de forma global, no lipedema a área afetada permanece praticamente inalterada. “Os pacientes com lipedema podem perder peso, mas geralmente não têm uma perda significativa dessa gordura que está acumulada aí, principalmente nos membros inferiores”, explicou a endocrinologista.

Abordagem terapêutica e hábitos de vida

Por não contar com exames laboratoriais exatos para confirmação imediata, a condição exige um diagnóstico clínico detalhado. Essa lentidão no diagnóstico costuma desencadear sofrimento emocional, com impactos diretos na autoestima e no convívio social da mulher.

O cuidado, portanto, deve ser multidisciplinar. O tratamento conservador inclui o uso de malhas de compressão, drenagem linfática, cuidados cutâneos e a adoção de um plano alimentar com propriedades anti-inflamatórias. Na rotina de exercícios, as modalidades aquáticas — como a natação e a hidroginástica — são fortemente recomendadas por permitirem a movimentação corporal com impacto reduzido nas articulações.

Em quadros mais avançados ou resistentes, a intervenção cirúrgica por meio de lipoaspiração terapêutica pode ser indicada para remoção da gordura doente e resgate da qualidade de vida. O tema ganha força no Estado com a aprovação de um projeto de lei na Câmara Municipal de Goiânia, proposto pela vereadora Aava Santiago (PSB), focado na criação da Política Municipal de Atenção Integral à Saúde das Mulheres com Lipedema.

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