AnápolisArte e cultura

Artista anapolino lança fotolivro sobre monumentos do Cristo Redentor presentes no interior de Goiás

Com lançamento do fotolivro no Barranco Ateliê, o projeto de Joardo Filho também ofereceu oficinas de acessibilidade e descentralização cultural em Anápolis.

O fotolivro “Cristo Redentor, Goiás” é resultado de uma longa pesquisa do artista Joardo Filho, na qual documenta um tipo de monumento recorrente no interior de Goiás: estátuas inspiradas no Cristo Redentor, cartão postal do Rio de Janeiro e ícone nacional.

Na publicação, Joardo apresenta um inventário dessas estátuas distribuídas em quarenta e três municípios goianos, abordando os imaginários e as paisagens do estado.

Saturação

A publicação ficou a cargo da Editora Reticências, dos cearenses Ana Cecília Soares e Júnior Pimenta, que assinam a edição e a diagramação. Também participa do projeto o curador Divino Sobral, que escreveu o texto crítico sobre a pesquisa.

Produzindo através da apropriação e edição de imagens pré-existentes disponíveis na plataforma online do Google Street View, no fotolivro o artista “avança na sua reflexão sobre a necessidade de se produzir imagens em um mundo saturado pela multiplicação delas”, colocando assim “suspeição sobre a noção de autoria e sobre o conceito de linguagem fotográfica ‘artística’”, segundo analisa Divino Sobral.

Imagem da cidade de Porteirão, do fotolivro “Cristo Redentor, Goiás”, de Joardo Filho.

Apesar do enfoque nos monumentos, as imagens apresentadas permitem observar o contexto onde essas estátuas foram inseridas, exibindo cenas com trechos urbanos, espaços públicos, praças e rodovias. Explorando a semelhança entre as diferentes cidades do interior, o livro apresenta uma perspectiva sobre um tipo de paisagem construída no interior de Goiás. Outras obras dessa mesma pesquisa já foram apresentadas em exposições na Galeria de Artes Antônio Sibasolly, em Anápolis; na Galeria da FAV, no Museu de Arte Contemporânea de Goiás e no Museu Zoroastro Artiaga, em Goiânia; no Centro Cultural Casa das Onze Janelas, em Belém; e fazem parte do acervo do Museu de Artes Plásticas de Anápolis.

Lançamento do fotolivro “Cristo Redentor Goiás” no Barranco Ateliê. Crédito: Rafael Ferraz.

Durante o lançamento no Barranco Ateliê, em Anápolis, o público participou de uma palestra (acessível em Libras) com o artista e com o curador sobre o processo criativo em torno da publicação. O fotolivro foi distribuído gratuitamente aos presentes no evento e está sendo doado também a espaços culturais e escolas. Interessados em ter um exemplar podem entrar em contato com o Barranco Ateliê (instagram.com/barranco.atelie) ou com Joardo Filho (instagram.com/joardofilho).

Fotolivro “Cristo Redentor, Goiás”, de Joardo Filho. Crédito: Rafael Ferraz.

Como contrapartida, o artista realizou oficinas de fotocolagem para alunos da Escola Municipal Gomes Souza Ramos, no distrito de Souzânia, e ações de acessibilidade no CEMAD, em Anápolis. Junto ao público com deficiência auditiva, foi realizado um passeio virtual pelos monumentos do Cristo Redentor nas cidades do interior de Goiás, seguido de bate-papo com tradução simultânea em Libras. Já o público com deficiência visual teve uma experiência tátil com diversos tipos de miniaturas do monumento.


Ação de Acessibilidade no CEMAD. Crédito: Diego Oliveira.

Joardo Filho é graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Goiás – UFG (2012) e participou de exposições coletivas em diferentes espaços como “Dialetos II” (2018) no Centro Cultural São Paulo (CCSP), e o Salão Nacional de Arte Contemporânea de Goiás (2022) no MAC Goiás. Foi premiado no 25º Salão Anapolino de Arte (2020) e realizou as exposições individuais “Espaços Invisíveis” (2017) no Museu de Artes Plásticas de Anápolis (MAPA) e “Monumentos Esvaziados” (2019) na Galeria da FAV (UFG).

Divino Sobral é artista visual, pesquisador e curador independente, de formação autodidata. Atua no circuito de arte desde 1990. Recebeu as premiações de curadoria do Salão Anapolino de Arte (2017) e do Prêmio Marcantonio Vilaça CNI SESI SENAI (2015); prêmio Crítica de Arte do Situações Brasília Prêmio de Artes Visuais do DF (2014); como artista recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça, MinC Funarte (2009), e o Prêmio Festival de Inverno de Bonito/MS (2005). Entre 2011 e 2013 foi Diretor do Museu de Arte Contemporânea de Goiás. Como ensaísta integra a Coleção Ensaios Brasileiros Contemporâneos – Artes Visuais, publicada pela Funarte em 2017.

Mais detalhes sobre a pesquisa podem ser conferidas através do site barranco.art.br. O Barranco Ateliê é um Espaço Autônomo de Arte localizado em Anápolis, com enfoque no intercâmbio, prática e experimentação em arte contemporânea em diálogo com a comunidade local.

Este projeto foi contemplado pelo Regulamento 01/2024 – Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) / Governo Federal via Prefeitura de Anápolis.

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