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Frente à instabilidade geopolítica, Kellen Severo aponta tendências do agronegócio

A jornalista também abordou fatores internos que afetam o produtor rural

Em palestra realizada em Goiânia, durante evento que marcou a inauguração da sede física do Grupo BLB na capital, a jornalista especializada em agronegócio Kellen Severo destacou os principais desafios e tendências do setor diante das mudanças geopolíticas, econômicas e tecnológicas.

Segundo ela, embora o agronegócio brasileiro enfrente margens mais apertadas, o setor deve continuar crescendo e puxando a economia nacional. Para isso, produtores e empresários precisam acompanhar com atenção o novo cenário global.

“A geopolítica importa porque o agro é o setor mais internacionalizado que existe”, afirmou Kellen.

“A geopolítica importa porque o agro é o setor mais internacionalizado que existe”, afirmou Kellen.

De acordo com a jornalista, ignorar os impactos externos no planejamento pode representar riscos, já que decisões internacionais alteram rapidamente preços, custos e a viabilidade de negócios.

Safra recorde

O Brasil deve colher novo recorde de grãos em 2026, com possibilidade de atingir 356 milhões de toneladas, segundo a Conab. Por outro lado, o Valor Bruto da Produção Agropecuária deve recuar para R$ 1,38 trilhão, depois de alcançar R$ 1,44 trilhão em 2025, conforme dados do Ministério da Agricultura.

Kellen lembrou que o agro brasileiro foi impactado nos últimos meses por tarifas impostas pelos Estados Unidos a diversas commodities, pela limitação da compra de carne brasileira pela China e por restrições da União Europeia. Mesmo assim, ela avaliou que outros fatores ajudam a equilibrar o cenário, como a reserva brasileira de terras raras, o avanço dos biocombustíveis, o uso da soja nesse setor e a valorização da proteína na alimentação.

“O limite de todas as medidas protecionistas é o custo de vida da população. Se elas elevarem o valor do alimento, não se sustentarão”, destacou.

A jornalista também abordou fatores internos que afetam o produtor rural, como mudanças tributárias, inflação pressionada pelos gastos públicos, riscos climáticos — incluindo a possibilidade de um super El Niño — e os avanços da inteligência artificial e da robótica no campo.

Expansão ao Centro-Oeste

A vinda de Kellen Severo a Goiânia ocorreu a convite do Grupo BLB, que oficializou a abertura de sua unidade na capital goiana. Fundada em Ribeirão Preto, a empresa atua nas áreas de auditoria independente, consultoria tributária, educação executiva, fusões e aquisições, com forte presença no agronegócio. Com 23 anos de atuação, atende clientes em 17 estados brasileiros.

Para Rodrigo Barbeti, sócio-fundador e CEO do grupo, Goiás foi escolhido por sua posição estratégica e pelo crescimento do agronegócio na região.

“Goiás é um estado próspero. Além da logística centralizada, tem acontecido um deslocamento de maior desenvolvimento do agronegócio nessa região”, afirmou.

Barbeti ressaltou ainda que muitos produtores priorizam produtividade e negociação, mas deixam em segundo plano temas como fluxo de caixa, endividamento, questões tributárias e sucessórias. Segundo ele, a boa gestão desses pontos tem feito diferença no crescimento dos grandes players do setor.

O evento foi realizado no restaurante Voya e contou com representantes de entidades como Fieg, Adial, Lide Goiás e CRC-GO. A sede do Grupo BLB em Goiânia está localizada no Setor Bueno, no Edifício Focus Business.

(Fonte: Comunicação Sem Fronteiras)

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