Meio Ambiente

Onça ataca criança na Chapada dos Veadeiros

Redução do habitat silvestre e pressão sobre áreas naturais elevam risco de encontros entre humanos e grandes felinos.

O ataque de uma onça-parda a uma criança de oito anos aconteceu na tarde de quinta-feira (14), na Cachoeira do Cordovil, no Santuário Volta da Serra, em Alto Paraíso de Goiás.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, a criança retornava de uma trilha acompanhada por familiares e um funcionário do local quando foi atacada. Ela sofreu ferimentos no rosto e precisou ser transferida para o Hospital de Base do Distrito Federal.

O transporte aéreo chegou a ser solicitado, mas não foi realizado porque o helicóptero do CBMGO não opera voos noturnos.

Possíveis causas

Para Elisângela Sobreira, doutora em Animais Selvagens, alertas como o registrado na Chapada dos Veadeiros podem voltar a ocorrer não apenas na região, mas também em outras áreas de turismo ecológico e de aventura em Goiás, diante do avanço da degradação ambiental e da redução do habitat natural da fauna silvestre.

o comportamento do animal pode ter sido motivado por diferentes fatores defensivos. Entre as hipóteses levantadas estão a proteção territorial, defesa de filhotes, reação ao ser surpreendida ou até a proteção de alimento.

“Se ela estiver com uma carcaça, porque geralmente essas onças abatem animais e levam para cima da árvore para terminar de se alimentar, ela pode ter atacado para defender a alimentação”, explicou.

A especialista também considera que movimentos bruscos ou sons emitidos pela criança podem ter despertado a atenção do felino.

“Ela pode ter visto a onça, achado bonita, começado a aumentar a voz, gesticular, fazer movimentos bruscos”, afirmou.

Desequilíbrio ecológico

Segundo a pesquisadora, episódios como esse podem se tornar mais frequentes em regiões turísticas cercadas por áreas naturais, especialmente diante da redução acelerada do Cerrado, da expansão urbana e da pressão humana sobre corredores ecológicos.

Ela destaca que Goiás possui diversas regiões de ecoturismo e turismo de aventura inseridas próximas ao habitat de grandes predadores, como áreas da Chapada dos Veadeiros, Serra Dourada, região do Rio Araguaia, Pirenópolis e parques ambientais no entorno de áreas rurais e serranas.

“O habitat desses animais está cada vez menor. Com a destruição do Cerrado, queimadas, avanço das cidades e aumento da presença humana em áreas naturais, esses encontros tendem a se tornar mais comuns”, explicou.

A especialista ressalta ainda que o desequilíbrio ecológico não é um fenômeno isolado de Goiás, mas uma consequência observada em diferentes partes do mundo, onde animais silvestres passam a circular mais próximos de áreas urbanas e turísticas devido à perda de território e alimento.

Recomendações

Em situações de encontro com felinos silvestres, a orientação é não correr, manter distância e evitar qualquer comportamento que possa ser interpretado como ameaça.

Entre as recomendações estão: nunca realizar trilhas sozinho; evitar caminhadas no amanhecer e no anoitecer; não deixar lixo orgânico em áreas de mata; evitar barulhos excessivos e movimentos bruscos; respeitar áreas de preservação e sinalizações ambientais.

Especialistas reforçam que o turismo ecológico exige cada vez mais protocolos de segurança, educação ambiental e monitoramento constante da fauna em regiões de visitação intensa. “Se o desmatamento continuar avançando no ritmo frenético de hoje, o turismo nessas áreas poderá deixar de ser praticado”, dizem.

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