O mês de agosto é marcado mundialmente pela campanha Agosto Dourado, dedicada à conscientização sobre a importância do aleitamento materno. Mais do que um gesto de afeto, a amamentação representa uma intervenção de saúde pública de grande impacto.
Dados de estudo publicado na revista científica The Lancet e divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que a ampliação da amamentação poderia salvar aproximadamente 820 mil crianças por ano em todo o mundo. A prática também pode reduzir em até 13% a mortalidade infantil por causas evitáveis.
Mito do ‘leite fraco’
Especialistas em Obstetrícia, Neonatologia e Enfermagem do Ânima Centro Hospitalar explicam a importância da “hora de ouro”, desmistificam o mito do “leite fraco” e destacam a segurança da assistência integrada entre Maternidade e UTI Neonatal. O incentivo ao aleitamento começa durante o pré-natal e se estende por toda a jornada do parto, pós-parto e acompanhamento neonatal.
Para orientar as famílias de Anápolis e região, o médico obstetra e ginecologista Dr. Gabriel Miguel, a médica pediatra e neonatologista Dra. Gina Tronconi e a enfermeira obstetra Maria Letícia Barros explicam os aspectos fisiológicos, imunológicos e emocionais envolvidos na amamentação.
“Hora de ouro”
O estímulo ao aleitamento começa nos primeiros minutos de vida, durante a chamada Golden Hour, ou “hora de ouro”. Nesse período, o recém-nascido é colocado em contato direto, pele a pele, com a mãe ainda no centro obstétrico.
“O contato pele a pele na primeira hora acalma o bebê e desperta o instinto natural de sucção. Para a mãe, esse momento estimula a liberação de ocitocina, hormônio que ajuda o útero a contrair, reduz o risco de hemorragias e dá o estímulo inicial para a produção de leite”, explica o Dr. Gabriel Miguel.
Segundo o obstetra, no pós-parto imediato, a amamentação contribui para que o útero retorne mais rapidamente ao tamanho normal. Em longo prazo, também atua como fator de proteção para a saúde feminina.
“A amamentação diminui significativamente as chances de a mulher desenvolver câncer de mama, câncer de ovário e diabetes tipo 2”, acrescenta.

O médico também procura tranquilizar as mães que temem não produzir leite em quantidade suficiente ou acreditam que o próprio leite não seja nutritivo.
“Não existe leite fraco. O colostro, que é o primeiro leite, sai em pequena quantidade exatamente porque o estômago do recém-nascido é muito pequeno. No Ânima, nossa equipe apoia a mãe no ajuste da pega correta, reduzindo a ansiedade e contribuindo para um processo seguro e sem dor”, afirma o obstetra.
Colostro: primeira vacina do bebê
Sob a perspectiva neonatal, o leite humano é uma estrutura biológica dinâmica, complexa e insubstituível. A pediatra e neonatologista Dra. Gina Tronconi, integrante da equipe da UTI Neonatal do Ânima, destaca a riqueza imunológica presente em cada fase da amamentação.
“O leite materno não é apenas uma fonte de nutrientes. É uma substância viva de grande complexidade biológica. O colostro é considerado a primeira vacina do recém-nascido porque é extremamente rico em anticorpos, leucócitos, lactoferrina e vitamina A, protegendo contra infecções e alergias”, explica.
O colostro também auxilia na eliminação do mecônio, que é a primeira evacuação do bebê, ajuda a prevenir a icterícia e acelera o processo de maturação intestinal.
Com o passar dos dias, o leite materno sofre mudanças naturais. Durante uma mesma mamada, apresenta uma fase inicial mais fluida e outra posterior mais esbranquiçada e rica em gordura.
“Mesmo quando parece mais claro, o leite continua sendo extremamente nutritivo”, ressalta a médica.
A neonatologista também alerta que a amamentação cruzada — quando uma mulher amamenta diretamente o filho de outra — não é recomendada e é proibida pelas normas sanitárias brasileiras, devido ao risco de transmissão de doenças.
Recuperação de prematuros
Para recém-nascidos prematuros ou de alto risco internados na UTI Neonatal, a oferta do leite materno pode atuar como um importante recurso terapêutico.
“Para os bebês prematuros, estimulamos fortemente a colostroterapia, que consiste na administração do colostro da própria mãe. Esse alimento funciona como uma barreira protetora contra infecções graves”, explica a Dra. Gina Tronconi.
A médica destaca ainda a importância da presença da família durante o tratamento dos recém-nascidos.
“Por termos uma UTI Neonatal humanizada, garantimos o livre acesso e a presença constante do pai e da mãe ao lado do leito. A presença dos pais e o contato com a mãe fazem uma diferença enorme e perceptível na recuperação dos recém-nascidos graves”, pontua.
Aleitamento exclusivo até os seis meses
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses de idade. Nesse período, não há necessidade de oferecer água, chás ou outros alimentos ao bebê.
Após os seis meses, a orientação é manter a amamentação juntamente com a alimentação complementar até os dois anos de idade ou mais.

Segundo a Dra. Gina, o retorno da mulher ao trabalho após o período de licença-maternidade costuma representar um dos principais desafios para a manutenção do aleitamento exclusivo. A situação exige planejamento, informação e acolhimento.
“Sempre que houver necessidade de iniciar o desmame, o processo deve ser gradual, para não gerar desconforto físico nem impactos emocionais para a mãe e o bebê”, orienta.
Para as mulheres que retornarão ao trabalho, a recomendação é começar, com antecedência, uma rotina de ordenha e armazenamento adequado do leite.
“Orientamos a mãe a iniciar a retirada e o armazenamento correto do leite no congelador algumas semanas antes. Assim, o cuidador poderá oferecer o leite materno reservado em copinho ou colher dosadora, preservando esse vínculo tão valioso”, explica a neonatologista.
Maternidade e UTI Neonatal integradas
A tranquilidade da família durante a gestação e o parto depende de acompanhamento adequado e da confiança na instituição hospitalar diante de eventuais intercorrências.
De acordo com o Dr. Gabriel Miguel, a infraestrutura do Ânima Centro Hospitalar foi planejada para oferecer assistência de alta complexidade em Anápolis.
“A grande vantagem de contar com a Maternidade e a UTI Neonatal integradas é a segurança de uma assistência completa sob o mesmo teto. Na nossa Maternidade, priorizamos o cuidado e o acolhimento da família”, afirma.
Caso o bebê necessite de atendimento intensivo, a integração permite uma resposta mais rápida.
“A UTI Neonatal do Ânima oferece tecnologia e equipe multidisciplinar especializada sem necessidade de transferência para outra unidade, garantindo agilidade no atendimento e mais tranquilidade aos pais”, acrescenta o obstetra.
Enfermagem oferece suporte prático à amamentação
A assistência prestada pelo Ânima Centro Hospitalar busca estabelecer uma linha contínua de cuidado, abrangendo o acompanhamento pré-natal, o parto e o pós-parto imediato.
Esse suporte é fortalecido pela estrutura diagnóstica e pela atuação próxima da equipe de enfermagem, responsável por orientar e acolher as mães à beira do leito.
A enfermeira Maria Letícia Barros, especialista em Saúde da Mulher e Obstetrícia, explica que a maternidade está estruturada para acompanhar tanto a saúde materna quanto o desenvolvimento fetal.
“Buscamos oferecer uma assistência integral e humanizada à gestante, ao bebê e à família, desde o acompanhamento da gestação até o pós-parto. Contamos com uma equipe multiprofissional e uma estrutura que permite oferecer diferentes tipos de consultas, avaliações, exames e recursos diagnósticos”, destaca.
Entre os recursos disponíveis estão ultrassonografias obstétricas e morfológicas, ecodoppler, ressonância magnética e exames laboratoriais.
“Esses recursos são fundamentais para acompanhar a saúde materna e o desenvolvimento do bebê, contribuindo para uma assistência mais completa e segura”, complementa.

No pós-parto, a equipe de enfermagem orienta as mães sobre o posicionamento do bebê, a pega correta e os sinais de uma mamada eficaz.
“Uma pega adequada favorece a transferência do leite, ajuda a prevenir fissuras e lesões nos mamilos e proporciona mais conforto para a mãe e o bebê”, explica Maria Letícia.
A equipe também incentiva o contato pele a pele e o início da amamentação o mais precocemente possível, sempre respeitando as condições clínicas da mulher e do recém-nascido.
“Cuidar do binômio mãe-bebê vai muito além dos procedimentos técnicos. É oferecer informação, acolhimento, segurança e estar presente em um momento tão importante e transformador na vida dessa família”, conclui a enfermeira.




