O Mês das Mães traz uma reflexão profunda sobre o início da jornada humana. De fato, existe um período crítico que define a nossa saúde até a idade adulta.
Essa fase é conhecida pelos cientistas como os “primeiros 1.000 dias”. Nesse sentido, o intervalo soma os 270 dias da gestação aos dois primeiros anos da criança.
A equipe da Revista Planeta Água conversou com o Dr. Gabriel Miguel sobre o tema. Ele é o coordenador de Obstetrícia e Ginecologia do Ânima Centro Hospitalar.

A janela de ouro e a programação metabólica
Durante esse período, o corpo do bebê funciona como uma esponja biológica. Por isso, o ambiente uterino dita como será o funcionamento do corpo do feto.
O Dr. Gabriel Miguel explica que esse processo se chama programação metabólica. Dessa forma, a nutrição e o estresse materno ajustam diretamente o metabolismo do feto.
“As condições da gestação definem a tendência a desenvolver doenças crônicas”, alerta o médico. Como resultado, problemas como diabetes e hipertensão podem ser determinados aqui.
O fantasma da depressão pós-parto no Brasil
No entanto, cuidar do corpo da gestante não é o único desafio das famílias. A saúde mental das mães exige uma atenção urgente e humanizada em nossa sociedade.
A depressão pós-parto atinge uma em cada quatro mães no Brasil. De acordo com os dados, essa estatística mostra que 25% das mulheres sofrem com o transtorno.
Por causa disso, o estresse psicológico afeta o desenvolvimento cerebral do recém-nascido. Essa fase é justamente o momento de maior crescimento neural do ser humano.
“O afeto e a nutrição formam as conexões que servem de alicerce para as emoções”, afirma o obstetra. Portanto, proteger a mente da mãe é proteger o futuro do filho.
Assistência preventiva para salvar vidas
Para mitigar esses riscos, o Ânima Centro Hospitalar adota um protocolo integral. Além disso, uma equipe multidisciplinar acolhe as pacientes de forma ativa na unidade.
Médicos, enfermeiros e psicólogos trabalham juntos na triagem de sinais de depressão. Dessa maneira, a maternidade cria um ambiente de total segurança e respeito mútuo.
Por fim, os dados apontam que nove em cada dez mortes maternas são evitáveis. Afinal, o acesso à saúde qualificada é o verdadeiro segredo para preservar a vida.



