
O consumidor brasileiro tem percebido um fenômeno cada vez mais comum nas prateleiras: produtos com menor quantidade sendo vendidos pelo mesmo preço — ou até mais caros. E olhe que a alteração de tamanho e preço começou a ser notada em 2023.
A prática, conhecida como reduflação (ou shrinkflation, em inglês), é uma estratégia adotada por empresas para repassar custos sem aumentar diretamente os valores desde 2023.

Mesmo com a inflação oficial medida pelo IPCA fechando 2025 em torno de 4,26% — dentro da meta — e com a desaceleração nos preços de alimentos em domicílio (cerca de 1,43% em alguns períodos), a percepção do consumidor é de perda de poder de compra. Isso ocorre porque, na prática, muitos produtos continuam encolhendo.
Produtos menores, impacto maior
- Biscoito wafer — redução de 160 g para cerca de 100 g
- Suco em pó — versões que já chegaram a 120 g hoje aparecem com cerca de 18 g em algumas linhas
- Sabão em pó — embalagens reduzidas de aproximadamente 1,1 kg para 1 kg ou menos
- Chocolates — barras que tinham entre 167 g e 170 g agora giram em torno de 140 g a 145 g
- Biscoitos tipo maisena — de 200 g para 175 g
- Molhos de tomate — de 340 g para 300 g
- Salgadinhos — redução média de 9% a 15% no conteúdo, com embalagens semelhantes
- Achocolatados — de 400 g para 380 g
- Papel higiênico — rolos com menos metragem (de 30 m para 25 m)
- Iogurtes e bebidas lácteas — de 200 ml para cerca de 170 ml
- Bandejas de ovos — em alguns casos, de 12 para 10 unidades
Outros itens, como café, margarina, produtos de higiene pessoal e até fósforos e extratos de tomate também apresentam redução de quantidade.
Em 2023, o G1 já registrava dados alarmantes enumerando os produtos com dimensões reduzidas mas quase despercebidas:
Na semana passada, o supermercado Carrefour nas França colocou avisos nos produtos para alertar seus consumidores sobre a diminuição das embalagens sem uma correspondente redução de preço.
Os consumidores estão percebendo as mudanças e, naturalmente, não estão satisfeitos, especialmente porque o seu poder de compra está caindo devido à inflação.

E experiências passadas com a “reduflação” mostram que o fenômeno não termina quando a inflação diminui.
Os consumidores “percebem mais os aumentos de preços do que as reduções de tamanho”, afirma Mark Stiving, da Impact Pricing, uma organização que educa empresas sobre preços.
Como resultado, diz ele, as empresas utilizam a “reduflação” para aumentar os preços de forma “menos dolorosa”.
Cammy Crolic, professora da Universidade de Oxford que pesquisa o comportamento dos consumidores, concorda. Final do texto de 2023.
Estratégia silenciosa da indústria, hoje
Nos dias de hoje especialistas explicam que a reduflação está diretamente ligada ao aumento de custos de produção — como matérias-primas, energia, transporte e embalagens. Em vez de reajustar preços de forma explícita, o que pode gerar rejeição imediata do consumidor, empresas optam por reduzir o volume dos produtos.
A estratégia se torna ainda mais eficaz porque, muitas vezes, a embalagem mantém aparência semelhante, dificultando a percepção da mudança.
Consumidor atento pode minimizar perdas
Diante desse cenário, órgãos de defesa do consumidor orientam algumas práticas para reduzir impactos no orçamento:
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Comparar o preço por unidade de medida (quilo, litro ou unidade)
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Avaliar marcas alternativas ou produtos genéricos
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Aproveitar promoções e compras em maior quantidade
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Registrar reclamações em órgãos como o Procon
Em cidades como Anápolis, a tendência acompanha o restante do país, com supermercados replicando padrões nacionais de mercado.
A reduflação, embora legal quando informada corretamente na embalagem, exige atenção redobrada do consumidor. No fim das contas, o preço pode até parecer o mesmo — mas o custo real está cada vez maior.



